POR QUE NÃO ELAS?

POR QUE NÃO ELAS?

Você provavelmente já tenha ouvido falar em LFL e também provavelmente já desabreviou a sigla para Lingerie Football League. No entanto, sinto informar que desde 2013 essa definição não está mais correta.

O que era antes chamado de lingerie, agora é LEGENDS Football League. Mas temos que concordar que é um erro plausível, afinal, são sete mulheres de cada lado vestindo uniformes que consistem de ombreiras, cotoveleiras, joelheiras, ligas, sutiãs, calcinhas e capacetes.

A liga recebe constantemente várias críticas a cerca do uniforme. Os críticos dizem que as atletas femininas são objetificadas, uma vez que o que atrai o público não é o esporte, mas a calcinha e o sutiã. As jogadores se dividem para responder esse argumento.

LFL Championship 2015 - Second Half

Adrian Purnell do Tampa Breeze, por exemplo, concorda que o uniforme é uma ação de marketing. Parte das jogadoras acreditam que a pouca roupa é um mal necessário, mas esperam que um dia o público seja atraído pelo esporte, não pela vestimenta.

Outras, no entanto, comparam o tamanho da roupa ao usado por atletas da ginástica e reiteram que não é tão mais curto assim. O que não se pode negar é o desempenho dessas mulheres em campo. Definitivamente they tackle like a girl!

lfl tackel

Mas será que elas seriam lembradas pelo seu desempenho em campo?

De acordo com essa campanha da ESPN, provavelmente não.

Para homenagear o 8 de março, dia internacional da mulher, e como forma de divulgação do seu novo portal, ESPN W, os canais ESPN lançaram o vídeo Invisible Players. Nele, homens e mulheres são desafiados a identificar os atletas em alguns lances, de diferentes esportes. Nomes como Neymar, Ko Bryant e Mineirinho são citados, porém, nenhum convidado acerta.

Confira:

espnW Brasil – Invisible Players

espnW Brasil – INVISIBLE PLAYERS #opoderdamulher O quanto você sabe sobre esporte? Assista o filme, faça o teste você mesmo e não esqueça de acessar o espnW, o novo portal da ESPN para a mulher que faz tudo por esporte. www.espnw.com.br ESPN. Tudo pelo esporte. Para todos.

A pergunta é: por que ao pensar em atletas de ponta, a maioria das pessoas pensa em nomes do sexo masculino? Marta, jogadora de futebol da seleção brasileira feminina, por exemplo, fez mais gols do que Pelé e é mais premiada do que qualquer outro jogador brasileiro, mas além de não ter o seu nome citado, não tem camisetas com o seu nome sendo vendida e o reconhecimento financeiro pelo talento está muito aquém do que recebem estrelas do futebol masculino.

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Aliás, quando o tema é reconhecimento financeiro, a polêmica aumenta. Esse ano, a seleção brasileira feminina de vôlei venceu o Grand Prix e embolsou como premiação o valor de US$ 200.000,00. Prêmio cinco vezes menor do que o pago pela Liga Mundial, torneio disputado pelas seleções masculinas. Na verdade, o prêmio do 3° lugar da Liga Mundial é maior do que o cheque principal do GP: US$ 300.000,00.

Natália-MVP

A premiação para melhor jogador dos campeonatos também é desproporcional. Natália Pereira teve o prêmio de US$ 15.000,00, enquanto Marko Ivovic, campeão do mundial de vôlei com o time da Sérvia, recebeu o dobro.

O tenista Novak Djokovic, atual número 1 do esporte, parece concordar com essa diferença de premiação. Em entrevista dada após vencer os torneios de Indian Wells em março desse ano, disse que embora respeite a igualdade de premiação entre os torneios femininos e masculino em todos os Grand Slams, pensa que;

“o nosso mundo do tênis masculino, o mundo da ATP, deveria lutar por mais porque as estatísticas estão mostrando que temos muito mais espectadores nas partidas de tênis masculino. Eu acho que essa é uma das razões pelas quais nós deveríamos ser premiados mais.”

Ok, se partirmos do pressuposto que pessoas que exercem a mesma função devem ter o mesmo pagamento, ele está errado. Torneios feminino e masculino costumam ter a mesma quantidade de partidas, independente do sexo.

No entanto, se discutirmos a audiência, ele pode estar certo, uma vez que o maior público pagante é quando temos homens disputando. Mas, por que então o interesse por esportes praticados por mulheres é menor? O que justifica essa diferença?

Ser esportista é uma realidade difícil. Ser esportista e mulher é ainda mais complicado. Falta incentivo, falta tempo, falta espaço. De acordo com pesquisa acadêmica realizada pela UNISINOS (RS), o número de artigos esportivos publicados em um periódico traz  97,3% de cobertura destinada aos homens, enquanto apenas 2,7% fala sobre esportes femininos.

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Isso sem levar em conta que esporte feminino muitas vezes é noticiado pela beleza da atleta, ou pela responsabilização do marido, como um dos muitos casos que ocorreram nas Olimpíadas Rio 2016, quando a nadadora Katinka Hosszu levou o ouro nos 400 metros medley, quebrando recorde mundial.

A rede de TV “NBC” mostrou o marido e treinador dela na tela e um comentarista disse que ele foi “o cara responsável pela vitória”. Já “Chicago Tribune” preferiu chamar a Corey Cogdell-Unrein, que ganhou a medalha de bronze na armadilha de tiro das mulheres, como a “mulher do jogador do Bears”.

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Machismo e sexismo à parte, a situação das mulheres no esporte parece um ciclo vicioso: tem menos incentivo porque tem menos público, tem menos público porque tem menos exposição na mídia, tem menor exposição na mídia porque tem menos público, que tem menos incentivo, e assim por diante.

Esperamos que esse ciclo possa ser quebrado, que as mulheres que quiserem estar no esporte consigam e sejam reconhecidas por isso e se depender do Luluzinhaclub para acontecer, pode contar com a gente! <3

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