OS PROTESTOS DE KAEPERNICK

OS PROTESTOS DE KAEPERNICK

Mesmo sem ter entrado direito em campo nesta temporada, Colin Kaepernick não deixou de ser notícia. E neste domingo, 16 de outubro, os holofotes estarão mais do que virados para o QB do San Francisco 49ers, em seu primeiro jogo na temporada contra o Bills.

Tudo começou em 26 de agosto, em um jogo pela pré-temporada, que Kaepernick não se levantou para a execução do hino nacional dos Estados Unidos. Quando questionado sobre o motivo, ele declarou:

“Não vou me levantar e mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime o povo negro e as pessoas de cor. Para mim, isso é maior que o futebol, e seria egoísta da minha parte virar a cara para esse assunto.”

O atleta se referia aos uso de força excessiva e desproporcional por parte dos policiais diante de suspeitos negros. Já na semana seguinte, o protesto do QB ganhou adeptos, dentro e fora do time. Os atletas Eric Reid, do 49ers, e Jeremy Lane e Richard Sherman, do Seattle Seahawks também não se levantaram para o hino nacional americano.  No kickoff da temporada regular, Brandon Marshall, wide reciever do Denver Broncos, se ajoelhou, aderindo ao movimento.

 

 

O QB hoje titular do 49ers recebeu apoio do seu time que emitiu nota dizendo entre outras coisas, que a liberdade de expressão é um dos princípios americanos. No entanto no estádio, a princípio, ouviu-se vaias e foi extremamente criticado nas redes sociais sendo acusado de antipatriotismo. Torcedores mais exaltados chegaram, inclusive, a queimar a camisa com o número do jogador. Além disso, ele tem recebido sérias ameaças de morte por sua demonstração silenciosa.

Em resposta à essas ameaças, Kaep disse:

“Se algo assim acontecer, vocês provarão que eu estou certo. Será alto e claro porque isso aconteceu.”

 

Entre 26 de agosto, dia em que iniciou os protestos, até 3 de outubro dia em que foi capa da revista Time Magazine, umas das mais veiculadas e importantes publicações americanas, pelo menos 15 pessoas negras morreram vítimas de violência policial. Uma dessas mortes foi de um homem de 43 anos assassinado a tiros por policiais americanos, enquanto esperava seu filho no estacionamento de um edifício, em Charlote, EUA. Esse caso em especial, chegou a ser notícia no Brasil, quando uma menina deu um depoimento emocionado em uma reunião de emergência que aconteceu na cidade e viralizou nas redes sociais.

Young black girl Zianna Oliphant speaks for Keith Lamont Scott at Charlotte City Council

CHARLOTTE, N.C.-Almost too small to reach the microphone, Zianna Oliphant stepped to the podium at the Charlotte City Council meeting on Monday. Six days had passed since the fatal police shooting of Keith Lamont Scott, a period marked by anger and unrest in North Carolina’s largest city.

Para a edição que trazia o QB do 49ers na capa, a revista conversou com diversos atletas sobre o assunto, incluindo o safety do Philadelphia Eagles, Malcon Jenkins, que falou sobre a sua decisão de aderir ao protesto de Colin:

“Nós não estamos fazendo isso para termos atenção. Vidas reais são perdidas. Comunidades reais são afetadas. A negatividade vem da má vontade das pessoas em digerir a dura realidade”.

Com o tempo, parece que as pessoas começaram a focar mais na causa dos protestos e não no método usado por Kaepernic. Fora de campo o apoio a ele também tem crescido e hoje, a jersey com o seu número é a mais vendida novamente. Kaep prometeu doar os lucros que recebe pelas vendas, à causa:

“A única maneira que posso retribuir isso a vocês é devolver o favor doando todos os rendimentos que eu receber com as vendas das camisas para as comunidades! Eu acredito nas pessoas. Nós podemos ser a mudança!”

 

O simples ato de permanecer sentado ou ajoelhar-se ante o hino levou o debate para fora do campo e deu maior visibilidade ao assunto. Tal repercussão é ainda mais importante às vésperas das eleições presidenciais norte-americanas.  O candidato Donald Trump  condenou a manifestação do jogador e disse que ele deveria procurar um novo país. A equipe de sua adversária, no entanto, disse que a atitude do atleta merece respeito, já o atual presidente, Barack Obama, disse que o Kaepernick faz é um direito constitucional seu.

Para o jogo de domingo podemos esperar um público esperançoso, contando com Colin Kaepernick para reverter a situação do San Francisco 49ers, que vem de 4 derrotas consecutivas na week 5 (1-4).

De acordo com o head coach Chip Kelly, o QB está fisicamente mais forte e pronto para jogar. Quanto ao protesto, podemos ter certeza de que, pelo menos nesse domingo, ele vai continuar ajoelhado:

“Quando eu perceber mudanças significativas e sentir que a bandeira representa o que deveria representar, esse país está representando as pessoas como deve, vou me levantar.”

E de acordo com as estatísticas americanas, ele ainda vai continuar com seus protestos por um tempo, infelizmente.

E você, apóia ou não o protesto do Kaepernick? Diz para a gente nos comentários. Enjoy <3

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