MUITO ALÉM DE COLIN KAEPERNICK: PROTESTOS NA NFL

MUITO ALÉM DE COLIN KAEPERNICK: PROTESTOS NA NFL

É difícil falar sobre a temporada de 2016 e não lembrar dos protestos de Colin Kaepernick. Hoje um free agent, muitos acreditam que o QB não ter sido contratado relaciona-se aos protestos que ele protagonizou durante o ano passado.

Sendo ou não este o motivo de Kaepernick ainda estar desempregado, o fato é que, possuir opinião política diferente da massa, pode ter uma influência negativa sobre qualquer um. Isso pode ser ainda mais forte quando se trata de alguém  público, como é o caso do QB.

Quando se é um jogador da National Football League, qualquer coisa que você faz terá uma grande repercussão. Então, por que não usar essa visibilidade como uma forma de compartilhar mensagens contra o preconceito racial, por exemplo?

E foi exatamente isso que muitos fizeram e estão fazendo. Essa lista mostra jogadores corajosos que lutaram por suas crenças, usando suas posições como uma plataforma.

O legado de Tommie Smith e John Carlos

Apesar de não ter acontecido na NFL, serviu de inspiração para muitas manifestações nos anos seguintes. Por isso, é importante entender a origem de um gesto tão impactante.

A marcante manifestação aconteceu nas Olimpíadas do México, em 1968, durante a premiação dos 200 metros. Quando Tommie Smith e John Carlos, medalhas de ouro e bronze, subiram ao pódio, fizeram um movimento que seria lembrado através da história.

Com a cabeça baixa e os punhos fechados e erguidos durante a execução do hino nacional americano, os atletas protestavam contra a discriminação sofrida pelos negros em seu país, tão forte naquela época. “A América negra irá entender o que fizemos hoje”, declarou Smith em entrevista.

Seus atos foram repudiados pelos presentes no estádio e, até mesmo, pelo Comitê Olímpico Internacional, que considerou o ato uma violação aos princípios do espírito olímpico.

Em 1969, Tommie Smith tornou-se jogador do Cincinnati Bengals, onde jogou por uma temporada.

Provando o impacto que a atitude dos atletas teve, o mesmo gesto foi repetido durante a última temporada da NFL, quase 50 anos depois. Marcus Peters, CB do Kansas City Chiefs; Martellus Bennet, na época ainda jogando pelo Patriots; o DB Devin McCourty, também do Patriots, o WR Kenny Britt e o LB Robert Quinn, ambos do Rams, levantaram seus punhos durante o hino nacional.

Mãos para o alto, não atire!

Em 9 de agosto de 2014, Michael Brown, um adolescente negro, foi morto pelo policial Darren Wilson. O ocorrido desencadeou uma série de protestos por todo o país, incluindo dentro dos campos da NFL.

Em 30 de novembro de 2014, após decisão judicial inocentando o policial, cinco jogadores do Rams usaram sua entrada em campo para protestar contra o veredito.

Os WRs Tavon Austin, Stedman Bailey, Chris Givens e Kenny Britt e o TE Jared Cook, saíram do túnel com as mãos levantadas, na pose comumente conhecida como “hands up, don’t shoot” (mãos para o alto, não atire). O gesto havia sido uma parte simbólica dos protestos na cidade de Ferguson.

O comportamento dos jogadores também foi repudiado por muitos, principalmente por policiais. Alguns membros do sindicato reuniram-se com a Franquia, exigindo a punição dos atletas. O Rams recusou-se a puni-los, argumentando que apenas estavam exercendo seu direito à liberdade de expressão.

Da mesma forma, a NFL também não puniu nenhum dos envolvidos.

Cam Newton sutil?

Discreto é, com certeza, um adjetivo geralmente não associado a Cam Newton. No entanto, esse cabe perfeitamente para descrever a forma que o QB do Panthers encontrou para se manifestar.

Newton sempre teve uma opinião bem clara sobre a forma como Kaepernick encontrou para demonstrar sua indignação. Quando questionado sobre o assunto, respondeu que só teria a perder comentando sobre políticas raciais. Até que um acontecimento o fez mudar de ideia.

Em 20 de setembro de 2016, Keith Lamont Scott foi morto pelo policial Brentley Vinso. O ocorrido desencadeou uma série de protestos na cidade de Charlotte, Carolina do Norte. Dessa vez, como a fatalidade havia acontecido tão perto, Newton não se absteve.

Na partida válida pela semana 3, contra o Vikings, Cam Newton encontrou uma forma de expressar sua opinião.

Usando uma camiseta com uma frase de Martin Luther King Jr., “injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar”, Newton demonstrou apoio aos protestos que vinham acontecendo e, indiretamente, à causa de Colin Kaepernick:

“O que eu não consigo entender é, como pode um oitavo de uma polegada, algo tão pequeno, ser a diferença e uma mercadoria tão grande em toda nossa vida. E essa é a espessura de nossa pele, um oitavo de uma polegada, abaixo disso, somos todos da mesma cor”.

Em nome da igualdade

Os jogadores do Seattle Seahawks foram, sem dúvida, os maiores adeptos da causa de Kaepernick  e, nesta temporada, não vai ser diferente.

Desde o primeiro jogo da pré-temporada, o DE Michael Bennett vem demonstrando sua indignação com as ondas de intolerância em seu país.

Sentando durante a execução do hino nacional, o que já disse que fará por toda a temporada regular, o jogador pretende usar sua visibilidade para alertar todos sobre a segregação racial. Bennett ainda disse estar ciente da repercussão de suas ações. Porém, está disposto a ficar vulnerável, para que sua voz seja ouvida:

“Como podemos continuar amando uns aos outros e entender que as pessoas são diferentes? E só porque elas são diferentes, não quer dizer que você não deveria gostar delas. Só porque elas não cheiram como você cheira, só porque elas não comem o que você come, só porque elas não rezam para o mesmo Deus que você reza, isso não quer dizer que você deveria odiá-las. Se são muçulmanos, budistas, cristãos, o que for, eu só quero que as pessoas entendam que não importa o que, nós estamos juntos nisso”.

Somos todos iguais

Comprovando a pretensão de seguir com os protestos durante a temporada de 2017, Bennett repetiu o gesto na segunda rodada da pré-temporada, contra o Vikings. Dessa vez, no entanto, não estava sozinho.

Apenas um dia após Bennet ter dito em entrevista que os protestos seriam vistos de forma diferente se um jogador branco se juntasse à causa, o center Justin Britt uniu-se ao colega de time.

Enquanto o hino nacional tocava no Century Link Stadium, Bennett permaneceu sentado na sideline. Ao seu lado, Britt manteve-se em pé, com uma mão sobre o ombro do amigo, como forma de apoiá-lo:

“Justiça não será servida até aqueles que não são afetados estejam tão indignados quanto aqueles que são”.

“Justice will not be served until those who are unaffected are as outraged as those who are” -Ben Franklin

Uma publicação compartilhada por Justin Britt (@justinbritt68) em

Outro jogador que parece ter entendido o recado de Michael Bennett é Seth DeValve. Na partida contra o New York Giants, o TE do Cleveland Browns se ajoelhou durante o hino, junto com alguns companheiros de equipe.

Seth DeValve, Jammie Collins, Christian Kirksey, Duke Johnson, Isaiah Crowell, Kenny Britt, Ricardo Louis, Jabrill Peppers e Jamar Taylor.

Pelo direito de manifestação

Apesar das demonstrações de apoio, nem todos os companheiros de franquia concordam com a atitude de Michael Bennett. Nate Boyer é um deles. O jogador disse não concordar com a maneira como o DE e outros estão se manifestando durante o hino nacional. Porém, afirmou ser um direito deles, e por esse direito ele lutará.

“Eles não estão machucando ninguém. Eles não estão batendo em mulher, como algumas dessas pessoas na liga estão fazendo”.

Entre as pessoas que apoiam Bennett estão seu irmão, Matellus Bennett, Marshawn Lynch e o músico e torcedor fanático do Oakland Raiders, Ice Cube.

Contra a supremacia branca

Durante a última semana, a cidade de Charlottesvile na Virginia foi foco da atenção dos americanos. Um grupo de supremacistas brancos marchou contra a remoção da estátua de um líder da Guerra Civil. O protesto acabou na morte de uma mulher de 32 anos, Heather Heyes.

O acontecido gerou indignação de muitos e, na NFL, não foi diferente.

Desde a última temporada, o safety do Eagles, Malcom Jenkins, protestava durante o hino. Porém, dessa vez, não estava sozinho. No jogo contra o Bills pela pré-temporada, Chris Long se juntou ao safety.

(Photo by Mitchell Leff/Getty Images)

O DE, que cursou a faculdade em Charlottesville, já havia comentado o assunto em seu Twitter. Porém, viu o momento para demonstrar seu repúdio ao que aconteceu na pequena cidade. Além disso, o jogador disse apoiar a causa de Jenkins e outros jogadores na liga.

“Eu apenas disse para Malcolm ‘estou aqui com você’. Eu acho que é uma boa hora para pessoas que parecem comigo para estarem aqui pelas pessoas que estão lutando por igualdade”.

Cada vez que decidem lutar por aquilo que acreditam, esses jogadores colocam em risco sua segurança e o futuro de suas carreiras. Entretanto, em nome daquilo que acreditam, colocam tudo de lado para fazerem com que suas vozes sejam ouvidas.

Nós cremos em um futuro onde não exista discriminação racial ou de gênero. Um mundo onde todos possamos viver pacificamente. Cada vez mais jogadores estão aderindo a causa e esperamos que ainda mais pessoas se unam às causas desses jogadores destemidos. Sempre em favor de um mundo sem qualquer tipo de segregação.

Fontes: Denver PostBBCNew York TimesSt. Louis PostThe UndefeatedNational Public RadioUSA TodayThe Charlotte ObserverCBS SportsBleacher ReportTMZBleacher ReportCNNSeahawks.comSports IllustratedNew York TimesThe GuardianNFL.comPhillyFor The Win

 

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