ENTREVISTA COM O COACH DANIEL LEVY DO BH EAGLES

ENTREVISTA COM O COACH DANIEL LEVY DO BH EAGLES

O novo coach do BH Eagles chegou e os resultados já são visíveis. A equipe vem tendo uma excelente temporada na Liga Nacional e o trabalho só tende a melhor a atuação da equipe belorizontina.

Conversamos com o Coach Daniel Levy sobre o cenário que ele encontrou no país em sua segunda temporada por aqui.

Luluzinha: Esta é a segunda vez que você vem para o Brasil. Na primeira vez que atuou no país existiam dois campeonatos que concorriam entre si. Agora,  temos uma liga única. Além dessa fusão, o que notou de diferente em relação ao esporte?

Daniel Levy: Uma das diferenças que eu notei foi o crescimento do FABR, o que já era previsível.  Em 2014, quando trabalhei com o Vila Velha Tritões, já se via este crescimento, mas nada como o que tem acontecido, partidas com público superior a 10 mil pessoas. Acredito que, parte disto, tem a ver com o investimento feito com a Copa de 2014 de Soccer (já que em 2014, os grandes estádios estavam designados apenas para soccer). Porém, o interesse do público também aumentou, que é um público apaixonado pelo esporte, barulhento, como se vê nos Estados Unindos. Da mesma forma, houve também maior investimento e marketing por parte das equipes. Acredito que, o que vejo hoje, é o resultado da evolução do esporte no país.

L: Em relação aos times que você trabalhou na Europa, o que pode destacar dos atletas brasileiros, comparado aos europeus?

DL: Acredito que, em geral, o Brasil tem atletas de primeira linha que tem, de certa forma, vantagem em relação a atletas europeus e de outros lugares em geral nas questões atléticas. Um fator que os atletas europeus tem em desfavor aos brasileiros é a questão do desenvolvimento do esporte por lá. O futebol americano já existe por lá há muitos anos. Na Alemanha e Itália, por exemplo, já existe o futebol americano, de forma organizada, há mais de trinta anos, enquanto por aqui, podemos falar do FA de forma organizada a apenas 5 anos.

Na Europa, também, não se fala em viagens de ônibus de 20 horas para se jogar uma partida. As distâncias são mais curtas, há mais recurso financeiro. No entanto, há que se destacar em favor dos atletas brasileiros é a percepção de “tempo livre”. É comum aos mais jovens trabalharem em período integral, ir para a faculdade, gastar horas dentro de transporte público, e ainda comparecem a treinos noturnos, finais de semana. Isto não acontece na Noruega, onde trabalhei duas temporadas. Por conta da qualidade de vida que eles tem por lá, o tempo livre é dedicado a família e atividades de lazer, o que provoca certa dificuldade quando se vai marcar treinos e reuniões. Raramente me deparei com esta situação por aqui. O tempo livre não é sagrado. Os atletas estão dispostos a abdicar este tempo para aprender e se comprometer com o esporte que amam.

Como treinador, esta é a maior qualidade da cultura do FABR.

L: Como será seu trabalho no BH Eagles?

DL: Espero que seja bom. Acredito ter causado um bom impacto no time ao educar e inspirar os atletas. Este é o trabalho do treinador – fazer com que sejam os melhores no que lhes cabe. Este é meu foco. Os resultados ainda serão vistos. O objetivo é sermos campeões, mas não consigo prever o futuro. Posso apenas dizer que, se eles praticarem, dedicarem e se manterem focados, os resultados se tornarão possíveis.

O BH Eagles oferece uma estrutura para que seus atletas possam focar o máximo possível no futebol. Acredito que a motivação vem de dentro do campo, numa competição. Você está sempre competindo, para ser titular, para ser vitorioso, e contra você mesmo, para se aperfeiçoar. Quero atletas competitivos no meu time, pois este é o único incentivo real para jogar este esporte. Competição e paixão. Se querem ser os melhores, devem fazer o que estiver ao seu alcance para que aconteça.

L: Você acredita que um dia, brasileiros serão tão interessados em futebol americano como são em relação ao soccer?

DL: Soccer é como uma religião no Brasil, então não acho que o futebol americano possa chegar no mesmo patamar, mas acredito que exista espaço e interesse para que ele se transforme no segundo esporte mais popular no país.

Deixe nos comentários suas expectativas para o crescimento do esporte no país, afinal quanto mais investimentos, mais a chance da bola oval voar mais vezes em terras brasileiras. Enjoy <3

2 thoughts on “ENTREVISTA COM O COACH DANIEL LEVY DO BH EAGLES

  1. Expectativas pra crescimento só aumenta ao ver treinadores americanos (berço do esporte) vindo ao Brasil pra cooperar e somar. Ver times firmando estruturas e ambientes favoráveis para o esporte, ver estádio de mundial sendo palco de duelos. Isso tudo só gera mais expectativas! Parabéns!!

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