DISCURSO POLÊMICO DE DONALD TRUMP AGITA O MUNDO ESPORTIVO

DISCURSO POLÊMICO DE DONALD TRUMP AGITA O MUNDO ESPORTIVO

Menos de 12 horas. Esse foi o período que o presidente Donald Trump precisou para iniciar uma batalha com duas das ligas esportivas mais importantes do mundo.

A confusão teve início na última sexta-feira (22), em um comício na cidade de Huntsville, no estado do Arizona. Em seu discurso, o Presidente dos Estados Unidos disse:

“Você não iria adorar ver um dos donos da NFL (sic), quando alguém desrespeita a nossa bandeira, dizer: Tirem esse filho da mãe do campo imediatamente. Fora. Ele está demitido! Ele está demitido!”.

Ele continuou sua fala criticando os jogadores que se ajoelham durante o hino nacional, e recomendando que as pessoas deixem os estádios quando isso acontecer.

 

O apoio a Goodell

O discurso do presidente não foi bem recebido na Liga. O comissário Roger Goodell foi um dos primeiros a se manifestar:

“A NFL e nossos jogadores estão fazendo o seu melhor ao ajudar a criar um senso de união em nosso país e nossa cultura. Não há exemplo melhor do que a incrível resposta dos clubes e jogadores aos terríveis desastres naturais que vivemos no último mês. Comentários divisores como este demonstram uma infeliz falta de respeito à NFL, nosso incrível jogo e todos os nossos jogadores, e uma falha no entendimento da imensa força para o bem que os clubes e jogadores representam em nossas comunidades.”

Além da NFL, a NFLPA (Associação de Jogadores da NFL) reiterou a posição da NFL condenando o discurso de Trump e dizendo que “os comentários foram um tapa na cara dos heróis dos direitos civis do passado e presente…”. Entre as franquias, Baltimore Ravens, Green Bay Packers, Atlanta Falcons, Miami Dolphins, NY Giants, Philadelphia Eagles, Denver Broncos, Buffalo Bills, Indianapolis Colts, Seattle Seahawks, Tennessee Titans e Los Angeles Chargers já se manifestaram em apoio ao discurso de Goodell e condenando a fala de Trump.

No sábado (23), a hashtag #TakeakneeNFL ganhou força nas redes sociais. Espera-se que, em resposta ao acontecido, ocorram diversos protestos nos jogos de domingo.

Visita dos campeões da NBA é cancelada

Não é só a NFL que se envolveu em controvérsias com Trump. A NBA, Liga de Basquete Norte Americana também se envolveu em discussões, e a polêmica foi coroada com o cancelamento da visita à Casa Branca do último campeão da Liga, o Golden State Warriors.

Embora a visita seja quase certa para os vencedores da NFL e NBA, o Golden State já apresentava dúvidas sobre sua ida. Um fator de peso na decisão era a posição de Stephen Curry, um dos principais líderes do time, que já havia manifestado que não gostaria de participar da visita.

Após reiterar seu desinteresse no evento na última sexta, Curry se tornou o elemento principal da resposta de Trump à hesitação do time. O Presidente postou a seguinte mensagem no Twitter:

“Conhecer a Casa Branca é considerada uma grande honra para um time campeão. Stephen Curry está hesitando, então o convite está sendo retirado!”

O tweet foi alvo de milhares de respostas criticando a postura do presidente. Uma delas foi de LeBron James, astro do Cleveland Cavaliers e rival de Curry na Liga: ”Conhecer a Casa Branca era uma honra até você chegar lá”. Disse o jogador, também no Twitter.

Vários times e jogadores da NBA também se manifestaram contra o discurso do presidente.

Fonte: The Ringer

MLB adere aos protestos

O catcher rookie do Oakland Athletics, Bruce Maxwell, ajoelhou-se durante o hino no jogo desse sábado, 23, contra Texas Rangers. O atleta, que é filho de militares, explicou porque aderiu ao movimento “Minha mão no coração simbolizou o fato que eu sou e sempre serei um cidadão americano, e eu sou mais que agradecido eternamente por estar aqui. Mas o fato de ajoelhar é o que está chamando a atenção, porque estou ajoelhando pelas pessoas que não tem uma voz. Isso vai além da comunidade negra. Isso vai além da comunidade hispânica.” Confiram a declaração completa abaixo:

Stick to Sports?

Uma expressão comum nos Estados Unidos, e que ganhou força após a eleição de Trump é a “stick to sports”. Embora seja repleta de significados, ela é usada para representar um conforto ou fuga para o cidadão norte americano que está decepcionado com a situação de seu país. Em tempos de política turbulenta, o esporte acaba sendo um refúgio, uma válvula de escape. Agora, parece que não mais.

O peso das palavras de Trump é tão grande, que será difícil passar as 3 horas de um jogo da NFL sem se lembrar do que ele falou. Será difícil ouvir o hino americano, tradicionalmente pomposo e carregado de orgulho, sem lembrar que ele foi pano de fundo de um discurso de ódio e contrário à liberdade.

E mais triste que ouvir seus comentários ácidos e pouco diplomáticos, é ouvir o som dos aplausos após a sua fala. Mais triste do que sentir o ódio em um discurso, é ver o ódio disseminado, e a sociedade endossando a intolerância.

Mas entre tanta tristeza, restou uma alegria. Ver tantas pessoas e entidades do esporte se manifestando é um suave sopro de esperança, mesmo que seja difícil mantê-la em meio a tanto ódio. Torço que essas pessoas não parem de usar suas vozes em prol da tolerância e do respeito. Que essa fala infeliz seja lembrada apenas como o ponto de partida de uma guerra contra o preconceito. Que seja esquecida no dia em que um jogador não precisar mais se ajoelhar durante o hino para combater a opressão. E que o esporte seja motivo de alegria, sempre.

Fontes: ESPN.com, USAToday.com, Bleacher Report, Yahoo.com

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