CONCUSSÕES, FALÊNCIA E ASSASSINATO: A SAGA DE CLINTON PORTIS APÓS A NFL

CONCUSSÕES, FALÊNCIA E ASSASSINATO: A SAGA DE CLINTON PORTIS APÓS A NFL

Clinton Portis foi um RB de respeito. Ao longo de suas 9 temporadas na NFL, ele correu 9.923 jardas em 2.230 corridas, 2º melhor desempenho de um RB do Washington Redskins na história, e o 30º melhor de toda a Liga. Mas em reportagem recente feita pela Sports Illustrated, suas consagradas estatísticas não foram o foco. Desde que se aposentou em 2012, Portis declarou falência após perder a maior parte de sua fortuna, chegou perto de assassinar um dos investidores que considerava responsável por essa perda e lida com diversos problemas de saúde devido às concussões que sofreu durante a carreira. Vamos entender a história.

Portis começou sua carreira em 2002, no Denver Broncos. O RB correu para mais de 1500 jardas nas duas temporadas em jogou pelo time, e seu desempenho motivou uma negociação milionária com o Washington Redskins, com valores recordes para a posição na época. Ele se aposentou em agosto de 2012, tendo sido dispensado pelo Redskins no ano anterior. Com as duas últimas temporadas encurtadas devido a lesões, o entendimento do time era de que o valor a ser pago ao jogador era muito alto diante do que ele entregava em campo, principalmente diante da frequência em que se encontrava lesionado.

Quando se aposentou, estima-se que Portis tenha faturado cerca de U$ 43 milhões. Conhecido pelo estilo “esbanjador”, o jogador exibia na televisão suas diversas casas, carros, roupas e até aquários de peixes exóticos. Mesmo num meio conhecido onde gastos exorbitantes são comuns, Portis se destacava pelos excessos. Santana Moss, que foi colega do jogador no Redskins, e que chegou a ter 11 carros durante a carreira, disse sobre o jogador: “Portis estava num nível diferente. Ele não pensava no amanhã”. Se por um lado o jogador sustentava uma vida de luxos e excessos, ele também comprou casas para a mãe e os avós, além de organizar piqueniques abertos a quem precisasse de uma refeição gratuita.

Hoje, Clinton Portis gostaria de ter gastado mais de seus milhões. Parte de sua fortuna foi confiada a investidores conhecidos entre os jogadores milionários da NFL, mas que, frente a negócios duvidosos e suspeitas de fraude, foram banidos do mercado financeiro. Em meio a isso, Portis perdeu seus investimentos e, diante do andamento dos processos na justiça, dificilmente irá reaver algum valor. Enquanto ele se deparava com um futuro incerto para a família e para si mesmo, os investidores reconstruíam sua vida, sem cadeia ou qualquer punição que ele considerasse adequada para o que lhe fizeram.

Em 2013, tomado pelo desejo de vingança, o RB parou seu carro na porta de um edifício residencial em Washington D.C., esperando um dos investidores que havia perdido o dinheiro que ele guardava para o futuro. No banco do passageiro, havia uma arma, que só não foi disparada porque Portis não conseguia desligar o telefone. Do outro lado da linha, falava uma amiga, uma produtora de TV que ele havia conhecido ao fazer um teste para um reality show logo após se aposentar. A amiga era uma terapeuta familiar certificada e conseguiu convencer o ex-jogador a abandonar a ideia de seguir em frente com seu plano.

Ele diz que pensar em deixar seus quatro filhos sem o pai foi o que encerrou sua caçada por justiça.  O desejo de vingança evaporou, à medida que o jogador começou a reconstruir sua vida. Com dívidas exorbitantes, Portis declarou falência em 2015, e mesmo tendo perdido a maior parte de seus bens, permanece otimista. Com participações em transmissões esportivas e aparições em eventos, Portis acredita que conseguirá recuperar a maior parte de seu dinheiro. O que lhe preocupa agora, mais do que sua situação financeira, é sua saúde.

Logo após o anúncio de sua aposentadoria em 2012, o ex-jogador disse em entrevista que havia sofrido 10 concussões ao longo de sua carreira. Hoje em dia, ele lida ocasionalmente com pequenos lapsos de memória, tem dificuldade para finalizar frases e chega até a se perder enquanto dirige em lugares conhecidos. Ele disse que em alguns momentos chegou ao vestiário sem se lembrar do jogo onde esteve minutos antes.  Ele figura entre os jogadores elegíveis a receber uma quantia do “fundo de concussões da NFL”, que vale 1 bilhão de dólares. Ele poderia receber U$ 1,5 milhão se apresentar sinais precoces de demência e até U$ 5 milhões se for diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica. Mas para receber um centavo que seja, Portis terá que se submeter a uma série de testes que comprovem claramente a presença das doenças. Apesar da possível indenização, o jogador demonstrou preocupação com o que esses exames podem mostrar e qual o impacto que o diagnóstico teria em sua vida. “Não ligo para o dinheiro da concussão. Estou assustado. Estou muito assustado com o resultado desses exames. ”

 

Fontes:  (Washington Post, Sports Illustrated, Pro Football Reference)

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